Existe uma naturalização do assédio entre gays? Qual a linha tênue entre assédio e paquera?

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Normalização do assédio entre gays?

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Um áudio de um amigo contando sobre uma paquera no ônibus causou uma enorme discussão no nosso grupo do WhatsApp: foi paquera ou assédio? Gays normalizam o assédio entre si?

Chamei os Marcios, Marcio Banfi (@marcioBanfi) e Marcio Rolim (@bee40tona) para me ajudar neste episódio.

Para completar esse gabinete do esclarecimento, o psicólogo Samuel Silva (@seja.cor) fala como a masculinidade tóxica influencia nisso – e o advogado George Oliveira (@georgehnobilis) nos mostra como a lei pode nos ajudar em casos de assédio.

O que é assédio sexual?

Assédio sexual é o crime de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual“, sempre caracterizado por ter alguma hierarquia entre vítima e assediador. Por exemplo, um chefe dizer para um funcionário: “só irei te promover se você transar comigo”.

O que é importunação sexual?

Importunação Sexual é a pratica contra um indivíduo sem o seu consentimento com o objetivo de satisfazer a própria lascívia (desejo sexual) ou a de terceiro. Exemplo: quando alguém se masturba em um transporte público e ejacula em uma pessoa.

Assédio Entre Gays Ou Paquera?

  • Tocar o corpo de uma pessoa (sem consentimento)
  • Printar nudes de alguém e mostrar para seus amigos
  • Mandar nude do nada
  • Fazer comentários com ~elogios~: “mamaria”, “sentaria”, “comeria” etc
  • Puxar assunto com investida sexual como primeiro contato
  • Naturalizar as “mamadas” em corridas de uber.

Temos os nossos “combinados” dentro da nossa cultura. O ‘jogo”, “como funciona”, mas ele só é válido quando o outro topa participar.

Desde que haja consentimento, tudo é válido. O que for feito a partir do “não” de uma das partes, pode vir a ser caracterizado como assédio.

Se alguém passa a mão na sua bunda em um bloco de carnaval ou balada – ou te toca sem o seu consentimento -, é importunação sexual!

O que ocorre na maioria dos casos, é que há uma linha bem tênue entre a paquera e o assédio / importunação sexual. Onde um dos envolvidos toma alguma atitude (toca nas partes íntimas do outro, diz algo que o constrange ou até mesmo tenta beijar à força), por ter mal entendido algum sinal ou por não respeitar os limites do corpo do outro.

Os estigmas

Nós gays carregamos estigmas de “promíscuos”, “libertinos”, “obscenos” desde sempre.

Somos marginalizados pela sociedade ao lutarmos para expressar nossa sexualidade. Na busca por aceitação e até mesmo “compensação”, muitas vezes, emulamos alguns comportamentos dos mesmos que nos marginalizam. 

Ao tentarmos uma “compensação” por compramos o discurso de que somos “devassos”, reproduzimos a tal masculinidade. 

Além de anular toda a nossa individualidade sexual, isso pode nos aproximar de algo muito ruim: o machismo.

O assédio ou importunação sexual não surgem da maneira como nós gays lidamos com sexo e, sim, quando violamos – sem consentimento – a liberdade ou o corpo do outro.

Lembre-se, gay: sensualidade e sexualidade não estão só na masculinidade.

Esteja atenta, gay!

No ambiente dos aplicativos e essas pessoas que enviam nudes, eu imagino que essa pessoa (deixando claro que não é todo mundo, essa pessoa que nem manda nude, só manda um oi) deva fazer tipo uma lista de transmissão. Encaminha a mesma foto para uns 20 caras. Se um respondeu e transou, deu certo. Ele tá no lucro.

Nesse caso, existe um conjunto de fatores que contribuem para a normalização desse tipo de atitude para essa pessoa.

Provavelmente a maioria bloqueou, outra parte só ignorou. e, justamente, por parecer perda de tempo eu passar um textão no Grindr – falando como isso é assédio, é errado etc – ele vai continuar nessa tática dele e a gente bloqueando ou apenas ignorando. Daí que surge a normalização. Vira algo que eu estou “sujeito”.

Tipo quando o cara no aplicativo insiste muito. Mesmo você tendo falado que não ou tendo ignorado. Parece que a pessoa não sabe lidar com a rejeição, sabe? Todo mundo já cruzou com isso.

Instagram: @controle_Y

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