Controle Y



Complexo de Ma Anand Sheela

O que podemos aprender com o braço-direito do Osho, Ma Anand Sheela, de Wild Wild Country?

Ma Anand Sheela Illustration - Gif Sheela

“Que horror, ele era um morador de rua orfão” – foi o que o Lucas me falou quando eu revelei que não gostava do Chaves porque me irritava como ele era morto de fome.

Essa foi somente a primeira reflexão da noite. Ainda estava por vir o momento em que eu me senti um lixo por comer carne e nunca ter feito trabalho voluntário. Mas o auge mesmo foi quando neguei esmola para o décimo mendigo. Ficou claro que ele me achou um péssimo ser humano! Não, desta vez eu não presumi nada, ele de fato disse isso e inclusive me aconselhou a ter mais empatia.

Fiquei remoendo isso até ontem, quando terminei de assistir Wild Wild Country – o documentário da Netflix sobre o Osho – e me identifiquei (muito!) com a Sheela. Ouso dizer que ela me ensinou uma lição valiosíssima, inclusive. Será que eu poderia ter dito isso?

Nesta história, Lucas era mais ou menos como Bhagwan, perfeito! Rapaz apaixonante, inteligente, lindo e famoso no Instagram. Sabe quando o incômodo de se sentir inseguro por estar com alguém como ele fica em segundo plano diante do “ele deve ter algum defeito, não é possível!”?

Assim como Osho, Lucas é o tipo de pessoa que faz você querer ser alguém melhor (mesmo que nem sempre seja possível), enfim, um desafio! Eu, Ma Anand Sheela que sou, fiquei louca por ele. Quatro meses de um relacionamento de erro e aprendizado (mais erros, claro), e eis que num belo dia, Rajneesh – aka, Lucas – acorda e fala que simplesmente não gosta mais de mim, pois acha que sou uma pessoa ruim. Como assim? Eu sou muito do bem, mas fiquei puta!!! É num momento desse que envenenamos uma cidade inteira! Se ele só tivesse parado de falar, ninguém iria se machucar! Não, não infectei ninguém com salmonela, eu me machuquei – fiquei bem mal.

Pressuponho que você, caro leitor, assim como eu, não machuca pessoas, jamais maltrataria animais, quer o bem de outras pessoas, reconhece seus privilégios e respeita a sociedade e os idosos… Após este voto de confiança, eu te pergunto: isso é o mínimo ou o suficiente para caracterizar alguém como uma boa pessoa?

E outra, não bastando conciliar tudo isso, eu ainda não posso sentir raiva? Como assim não posso ser invejoso, vez ou outra e até mesmo falar mal das pessoas!?!  Nada disso se compara a ser autora do maior ataque bioterrorista da história dos EUA, claro, mas a lição aqui é como Sheela mostrava esse seu lado sombrio tão descaradamente e sem sentir vergonha! Como isso é inspirador (!).

Talvez você pense que eu só devesse ter ignorado o que ele disse. Mas calhou de eu ser uma pessoa que sempre tive dificuldade em se orgulhar das minhas conquistas. Como se o foco em consertar os meus defeitos sempre fosse mais urgente do que admirar minhas qualidades. Sinto como se eu tivesse numa escada e nunca apreciasse a vista do degrau que estou, somente pensasse no próximo degrau. E por isso admiro Sheela. Numa entrevista para o Huffington Post Espanha, ela disse: “como me arrepender de uma criação tão bonita?” E isso não é maravilhoso? Não se arrepender inclusive do tempo em que ficou presa e que serviu pra ela mais como aprendizado do que como um “castigo por ser alguém do mal” em si.

E esse é ponto: somos condicionados e negar sentimentos ruins, sendo que na verdade, eles devem ser entendidos e não evitados! Sem incomodo e irritação, não há transformação.

Toda essa autoexigência de ser perfeito é errada e é o que celebridades e influencers tentam nos convencer todos os dias nas redes sociais. Aprender a lidar com sentimentos ruins – além de não prejudicar ninguém com eles, pelo amor de Deus, hein! – de uma maneira saudável, é mais honesto do que fingir que nunca sentimos algo ruim. Somos humanos!

E é isso o que eu aprendi com Ma Anand Sheela: aceitar nossas ~sombras~ nos ajudam a entender quem somos, e devemos ter orgulho dos nossos feitos, mesmo que para alguns – a imprensa norte-americana, principalmente – pareça que você é arrogante!

 

Qual foi a última vez que você sentiu orgulho de você mesmo?

 

Lucas, três coisas: um, por que você acha que os monges vivem isolados da sociedade, more? Dois, o próprio Rajneesh disse que “é mais importante ser espontâneo do que perfeito”! E lave o cu e tome o caldo!


Lições de vida (bem Tumblr)

madonna_illustrationQualquer lição é válida. Sabendo disto, que fique claro que qualquer (QUALQUER!) situação tem algo para nos ensinar.   


Listei alguns estudos práticos que me ENCHERAM de sabedoria e que, por eu ser muito legal, passarei para você, caro leitor.

 

AO NATURAL É MELHOR

Fui um adolescente cheio de espinhas. Um dia, uma amiga me apresenta algo mágico que roubou de sua mãe: um pó compacto da Avon. Surpreendentemente era o meu tom de pele, bege claro. Testei e ficou perfeito (rs)!

Neste dia, fui para a balada rebocado e CASEI com um cara. Ela era alto, forte e bonito – foi uma noite incrível. Exceto por dois motivos: um, a pista do Vegas ser minúscula e, dois, pela reação dele: não saber se fica mais assustado com as manchas enormes na sua camiseta branca ou com meu rosto que virou um chokito depois de tocar Promiscous, da Nelly Furtado!

Licão: ser quem eu sou, ou selar com um pó translúcido da próxima vez!


VODKARRÉIA IS REAL

Nunca beba vodka em um date. Ainda mais se tiver a possibilidade de rolar algo depois. É FATO: se vocês forem pra sua casa, a bicha nunca irá embora e você não conseguirá cagar em paz. Já na casa dele, você terá que despertar antes do seu intestino, bb.

Lição: Às vezes, não é que a pessoa não gostou de você. Ela só precisa ir embora cagar!

 

TRANSAR COM ESTRANHOS É BOM MAS É ESTRANHO

Minha primeira fast foda nesses aplicativos (na época, um site, o ManHunt), foi com um cara 16 anos mais velho do que eu!

A gay só ficava puxando minha cueca para ficar atolada no meu cu, pediu para eu usar uma calcinha e tinha um lubrificante com cheiro de bebê!

Lição: tenha sempre a certeza de que pode voltar a qualquer momento (mesmo!) para sua casa, em segurança, onde ninguém obrigue você a ouvir Laura Pausini enquanto é dedado.

 

TRANSAR PELA PRIMEIRA VEZ NÃO FAZ DIFERENÇA, MAS JÁ TENTOU NÃO TRANSAR DE PRIMEIRA?

Na verdade, isso é só uma pergunta retórica.

 

NÃO ENROLE AS PESSOAS E TAMBÉM E NÃO TENHA MEDO DE SER CRUEL

Tempo é crucial, poc. Não perca o seu, nem o de ninguém. Ninguém é obrigado.

Lição: mesma coisa que o título.

 

RESPEITA A PABLLO, PORRA!

Durante minha adolescência, a única referência gay que eu tinha era o Patrick, do Zorra Total, sabe? Olha a faca!

Eis que em outubro de 2005, eu com 15 anos, morrendo de medo de ter que prestar calderaria no SENAI – enquanto tentava entender o que era ser gay -, vejo o clipe de Hung Up, da Madonna, passar no Fantástico. Lembro exatamente do Zeca Camargo toda colocada apresentando o vídeo.
Após ver a rainha do pop se esfregando num monte de bicha, entendi. É ISSO! Naquele momento corri para o Kazaa e baixei TODA a discografia dela. Aquele sopro de representatividade teve um PUTA impacto na minha vida.

Lição: Hoje, termos uma Pabllo Vittar no Faustão é foda pra caralho! Impede a gay de 17 anos – que morre de medo do exército – de se sentir uma aberração!

***

Strani amori, FRAGILIII
Prigionieri liberi
Strani amori che non sanno vivere
E si perdono dentro noi

Pior que eu adoro essa música.


Preguiça de transar?

Tinder Illustration

Meu último date foi há quase três meses. TRÊS. MESES. Foi com o Fernando e ele quase me matou. SIM! Houve uma tentativa de assassinato. QUEM ASSOPRA COM FORÇA O CU DE OUTRA PESSOA?!? Isso pode dar embolia pulmonar, gente! É sério!!!

Fiquei intrigado, caro leitor. Nem pela questão dos três meses em si, ou pelo quase homicídio doloso. Um dia desses, estava na Netflix procurando algo para assistir. Eis que percebi que se passaram duas horas e não consegui escolher nada. “Um catálogo gigante sem nada que presta” – conclui deixando em O Incrível Mundo de Gumball.

Em seguida, comecei a olhar umas notificações do Happn e Tinder, e PAH! Tive exatamente a mesma sensação. SÓ QUE SEM UM GUMBALL!

É aquilo. Não tem nada ~rápido~ para nos entreter e também nenhuma novidade legal o suficiente para querer me envolver. É como se fosse mais interessante buscar novas opções – mas, para mim, tem se tornado cada vez mais cansativo.

É isso. Hoje, eu, Y, com 28 anos, declaro: estou com preguiça de conhecer gente nova.

Já culpei o clima, o trabalho, o meu signo (touro)… Mas desta vez é diferente – sinto que a preguiça, na verdade, tem sido mais das pessoas (!).

Tive uma ideia: formarmos uma seita oculta de indicações de dates que foram bons, mas não deram certo, sabe? Tipo uma maçonaria poc! “Bicha que gosta de fritar, viado que faz mapa astral, esta gay só vive no LDRV!”

Vira e mexe, vemos no Grindr um “Deletando o App” (uma bicha está mais de cinco meses como o apelido, mas nunca deleta). A sua descrição é: “cansado de ficar navegando por este catálogo de carnes, quero um amor!”.  Acho um pouco de imaturidade emocional, etc, mas o ponto aqui é: PELO AMOR DE DEUS ESTOU ME TORNANDO O “DELETANDO O APP”?

Todos já tivemos a fase somente notificações nos animam. Mas geralmente é algo passageiro. Não me leve a mal, aplicativos – adoro vocês* – mas estou me tornando o que eu detestava: uma conversa que acaba em “tudo e você?”.

Enfim, pode-se aguardar um futuro próximo, onde plataformas de inteligência artificial selecionarão o conteúdo perfeito por você, ou entender que quando não há critério nenhum, a palavra escolha não tem sentido.

Respeite seus critérios, mas esteja aberto para surpresas. Afinal, o máximo que pode acontecer é você acabar cruzando com um Fernando.

 

 

No aguardo da I.A…

Enfim, alguém me indica uma série, já terminei Handmaid’s Tale. ESQUECE! Acabei de baixar o Bumble!

 

*Já dei cinco estrelas em todos os aplicativos na App Store e Google Play e não melhorou! #PROCON