Controle Y



José – o Discovery ID

fofo

Digamos que após uma temporada de encontros ruins – um Greys Anatomy inteiro de sofrência – você finalmente encontra um possível relacionamento promissor.

Não é óbvio que você deva agarrar essa oportunidade com todas as suas forças e torcer para que nada dê errado?

Pense nisso antes de me julgar, caro leitor.

Estava aproveitando enquanto o Happn ainda era um app ~de namoro~. Sim, porque todos apps começam assim e ao longo do tempo vão se tornando apps de putaria.

José foi meu primeiro match. A química foi tão grande que não dei bola para mais ninguém. Enfim, “deixei de ser cowboy por ele”. Mas para deixar claro, só deleto esses aplicativos quando estou, de fato, namorando; e ainda não era o caso.

No nosso terceiro encontro, dormi na casa dele e conheci seu hamster, o Jhonny. Ele tinha 2 anos e era da raça roboroviski. Estava tudo indo perfeitamente bem.

José foi pegar a pizza enquanto fui fazer alguns snaps do Johnny. Após perceber que é muito difícil manejar um celular e um hamster ao mesmo tempo, e quase derrubar Johnny no chão, achei melhor guardá-lo.

A porta da gaiola de Johnny tem uma espécie de ~alavanquinha~ que a mantém fechada. Daquelas que você precisa fazer uma força considerável para abrir, mas é só soltar para ela fechar rapidinho.

Com a mão que estava segurando o celular, puxei a portinha. Com a outra, fui aproximando o hamster da gaiola para ele entrar.

Quando ele estava no meio do caminho, a porta escapou do meu dedo, fechando Johnny ao meio. Imediatamente ele cagou com um pouco de sangue e desmaiou.

Neste mesmo momento, José voltou com a pizza.

Fiz o que qualquer pessoa no meu lugar faria: abri a portinha, o peguei e o encolhi no canto da gaiola, como os hamsters geralmente ficam.

Após transarmos (o que foi mágico e me fez perceber que eu não poderia perder aquele macho), fomos tomar banho. Terminei de me lavar rápido e fui checar o Johnny. Ele estava deitado ao lado de mais cocô com sangue!!! O caso era grave.

Peguei a vítima e percebi que ele estava bem molinho. Entrei em desespero e comecei a massagear o seu coraçãozinho e assoprar dentro da sua boquinha (sem encostar, que fique claro). Coloquei-o de volta na gaiola e continuei massageando. Neste exato momento, José entrou no quarto e me viu com a mão no Jhonny.

“Acho que ele está um pouco doente” – eu disse enquanto fazia um carinho no cadáver hamster.

José se aproximou assustado. Neste momento, comecei a fazer carinho em José (mostrando todo meu apoio) – me senti uma esposa traiçoeira, daquelas do canal Investigação Discovery.

Do nada, o hamster acordou e ficou vivão.*

*Acho que ele me confundiu com um predador e por isso estava se fingindo de morto.

Pensei que tudo havia acabado bem, mas José me deu um pé na bunda quatro dias depois porque voltou com o ex.

 

Aquele hamster deveria ter morrido.